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Publicado em 12/04/2017

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Professores e alunos do Campus Farroupilha pesquisam energia solar

É necessário repensar a geração e o consumo de energia elétrica. Para isso, durante o ano de 2017, os estudos acerca das energias renováveis deverão seguir em pauta no Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS. No Campus Farroupilha, as aulas e projeto dos cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia de Controle e Automação deverão abordar o tema, com iniciativas que ocorrem desde 2015, dois TCCs e ação de pesquisa e extensão.

No dia 14 de março de 2017, o IFRS esteve presente no Comitê Temático de Formação Profissional em Energias Renováveis e Eficiência Energética, representado pelo professor Ivan Jorge Gabe. Juntamente com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e membros da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, discute-se implementação de novos cursos, o mapeamento das necessidades do mercado e especificações de equipamentos de infraestrutura. O objetivo é colocar os institutos na vanguarda do ensino e da eficiência energética.

 

Ações no Campus Farroupilha

Em 2016, dois estudos inéditos no município de Farroupilha-RS sobre a geração de energia elétrica renovável foram realizadas pelo campus do IFRS. Acadêmicos e professores pesquisaram a eficiência da captação de energia na Serra Gaúcha por meio de placas solares.

Uma parceria entre os cursos de engenharia e a empresa Silvestrin Frutas possibilitou a instalação de 12 módulos fixos no terraço do estabelecimento. Por meio das placas e do sistema instalados na firma, desde setembro de 2015, o professor Alexandre Bühler e os alunos Júlio César De Bona e Mathias Titton levantam dados do perfil de radiação solar na região, do rendimento que essa energia renovável pode ter e da viabilidade econômica.

De acordo com o acadêmico De Bona, as primeiras conclusões do estudo desse primeiro ano indicam bons resultados: “Vale a pena! Percebe-se que o proprietário consegue recuperar o gasto com as placas e sistema em cerca de seis anos. Mesmo com as constantes neblinas ou tempo nublado na região, as placas tem bom potencial de geração. Em dias em que seria gerada mais energia do que o consumo, um relógio medidor bi-direcional é capaz de registrar esse adicional de energia que é convertido em créditos, que podem ser usados em meses nos quais é gerado menos energia do que o consumo. Com esse estudo, podemos fazer um paralelo com a média que uma casa com família gasta de energia elétrica no sul do país. Seis placas de 250W seriam suficientes para todo o consumo de energia residencial.”

O professor Bühler lembra que o Brasil é um dos países com melhor eficiência solar do mundo: “A Alemanha é hoje o segundo país no mundo onde se mais utiliza energia solar, ficando atrás apenas da China. Mas, o melhor lugar para captação solar na Alemanha é menos eficiente que o pior lugar no Brasil! Lá existe um grande incentivo para a população utilizar energia solar. Inclusive, alguns governos compram da população a energia excedente que as placas solares das casas geraram.”

A pesquisa que está sendo realizada pelo professor e alunos foi apresentada no XXIII Simpósio Peruano de Energia Solar, em novembro de 2016. No congresso, além da participação brasileira e peruana, haviam trabalhos da Espanha e do Equador.

“Foi bacana divulgar os trabalhos que vêm sendo realizados aqui no IFRS, e compartilharmos experiências com pessoas de culturas diferentes. O Brasil está mais avançado no setor que o Peru, por exemplo, porque eles ainda não têm regulamentação para geração de energia fotovoltaica.” – comenta o aluno Titton.

 

Pesquisa com placa solar móvel no campus

Com orientação do docente Ivan Gabe, os alunos Douglas Chesini e Fabiano Frosi colocaram em prática a construção de um protótipo com placa solar entre os meses de agosto e outubro deste ano. O aparelho conta com sensores e articulações que permite o módulo mover-se de acordo com a posição do sol, o que, em teoria, geraria 30% a mais de energia elétrica.

“Isso nos permite estudar as vantagens desse sistema que não é fixo, por estar sempre na direção e acompanhando o sol. Mas também estamos testando o quanto esse nosso sistema de sensores e articulações gasta de energia, e se seria vantajoso aqui no clima da Serra Gaúcha – explica Frosi.

Para o professor Gabe, o uso da placa solar tende a crescer e gerar mais estudos na área:

– A cada ano esta área está evoluindo aqui no Brasil, que tem uma vantajosa incidência solar. O tema das energias renováveis, sendo ela solar, eólica ou outras, é sempre multidisciplinar, abrangendo uma grande área de conhecimentos. No projeto dos alunos foi necessário utilizar conhecimentos de diversas disciplinas e está muito interessante. Vai servir pra muitos projetos de pesquisa e trabalhos de ensino futuros dentro desse tema no campus.

Para 2017, o docente colocará em prática a ação de extensão intitulada Tempestade Solar. A iniciativa pretende aproximar alunos da rede pública de ensino médio da cidade e  despertar o interesse dos jovens para as energias renováveis.

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